sábado, 1 de março de 2008

SUS gasta R$ 4 bi por ano com vítimas de violência, diz Conselho de Secretários

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A violência das grandes cidades brasileiras onera em cerca de R$ 4 bilhões por ano o SUS (Sistema Único de Saúde), afirmou o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, na manhã desta quinta-feira. Ele participa de encontro no Rio com secretários de Estados como Rio e São Paulo para discutir os impactos da violência na saúde pública.
"A violência sobrecarrega demais o sistema de saúde", disse Terra, durante o seminário "Violência: uma epidemia silenciosa", que discutiu, nesta quinta-feira no Guanabara Hotel, no centro do Rio, experiências de Estados do Sudeste para o combate à violência.
"A violência é uma questão social e prova disso é que, no Brasil, há 29 homicídios por cada 100 mil habitantes, enquanto no Japão há apenas 1 por 100 mil habitantes".
O secretário estadual de Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Baratas, afirmou que a violência é a terceira causa de mortes no Estado e defendeu integração com a Secretaria de Segurança. "Na medicina, quando temos um caso difícil, não devemos atendê-lo sozinho. Com a violência é a mesma coisa", discursou.
O Conass, que organiza o encontro, defende um trabalho integrado entre as secretarias de Saúde e Segurança dos Estados para diminuir a violência. "Não dá mais para deixar as secretarias de Segurança cuidando das causas e nós das conseqüências", afirmou Terra, que defendeu políticas como a presença de médicos de famílias em áreas consideradas de risco.
Criticado por entidades de direitos humanos por fazer uso da política de enfrentamento em comunidades de baixa renda do Rio, o secretário de Segurança fluminense, José Mariano Beltrame, disse no encontro acreditar que a violência só terá fim "se elevarmos os índices de direitos humanos e civilidade".
"As operações policiais são necessárias, mas o trabalho maior [para combater a violência] é o da promoção da vida".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Campanha "Conte para a Ouvidoria - nós contamos com você" é lançada em Pernambuco


Jornalistas, comunicadores populares e radialistas de Pernambuco têm encontro marcado no próximo dia 29 de fevereiro, sexta-feira, das 10h às 14h, no Auditório Calouste Gulbenkian da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), para o lançamento da campanha radiofônica de apoio às Ouvidorias de Polícia no Brasil. A campanha, promovida pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com financiamento da União Européia, e parceria com a Oboré Projetos Especiais em Comunicações e Artes, tem como objetivo ampliar e implementar ações de comunicação que busquem apoiar, divulgar e popularizar a existência e o trabalho das Ouvidorias de Polícia junto à população, especialmente através do rádio.
O evento em Pernambuco contará com a presença de Isabel Figueiredo, diretora do Programa Institucional de Apoio à Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário da SEDH; Jean François Olivier, da assistência técnica européia do Programa Institucional de Apoio à Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário; Fernando Lyra, presidente da Fundaj e ex-Ministro da Justiça; Antonio Funari Filho, coordenador do Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia e Ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Amparo Araújo, Ouvidora Geral da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e Ana Luisa Zaniboni Gomes, jornalista, pesquisadora, gestora executiva do projeto e autora do livro “Na boca do rádio: o radialista e as políticas públicas”. A campanha acontecerá nos 14 Estados brasileiros que contam com Ouvidorias de Polícia: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. A campanha já foi lançada em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Mato Grosso.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Brasil terá comissão para combate à tortura em presídios

Vinicius Konchinski Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Uma comissão independente será criada até o final deste ano para vistoriar locais em que há cidadãos presos e combater possíveis práticas de tortura existentes nesses lugares. A informação é do coordenador-geral de combate à tortura da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Pedro Montenegro, que participou hoje (25) da abertura de seminário internacional sobre o tema na Universidade de São Paulo (USP).“A comissão vai vistoriar todo e qualquer local onde há pessoas privadas da liberdade e fazer relatórios que serão encaminhados às autoridades competentes, a fim de exigir melhorias”, afirmou Montenegro, em entrevista à Agência Brasil. “Estudos internacionais demonstram que visitas regulares a esses locais ajudam a criar ambientes seguros”, acrescentou.

A criação da comissão, informou, faz parte de um compromisso firmado entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas (ONU), em junho de 2006, e por esse acordo a comissão deve ser permanente e de caráter “público não estatal”, só atrelada ao governo para receber os recursos necessários a suas atividades.“O órgão vai resolver um problema muito grave do Brasil, que não conta com dados precisos, cirúrgicos, que auxiliem o combate desta prática nefasta", disse.Montenegro admitiu que, quase 60 anos depois da publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 20 anos após a promulgação da Constituição – que condenam a tortura –, a camada mais pobre da sociedade brasileira ainda sofre com abusos de policiais e agentes penitenciários, principalmente. “No Brasil ainda existem a tortura para obtenção da confissão e a tortura para castigo, que acontece quando a pessoa já está presa”, explicou.

De acordo com Montenegro, dois problemas básicos impedem a redução dos casos de tortura no país: o primeiro, a crença de parte da população que considera a tortura policial necessária para sua segurança, já que intimida os bandidos; o segundo, a dificuldade de punição dos torturadores. “Em casos concretos, quando é aberto um processo contra o torturador, quase nunca ele é condenado pela Justiça”, contou.

O seminário vai até quarta-feira (27), na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).

Sistema carcerário é prioridade na revisão de Programa Nacional de Direitos Humanos

Adriana Brendler Repórter da Agência Brasil

Brasília - Secretários de Direitos Humanos de vários estados participaram hoje (26) de reunião para discutir a atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos prevista para o final deste ano. O documento foi criado em 1996 e revisado em 2002.
O item apontado como uma das prioridades a serem contempladas na elaboração de uma nova versão do programa foi a questão do sistema carcerário brasileiro, onde direitos humanos são freqüentemente violados.“Os secretários disseram que há um colapso no sistema penitenciário: super-população, violência interna, altíssima taxa de rebeliões. Isso não pode continuar” afirmou o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), que presidiu a reunião.
Outro ponto discutido foi a necessidade de sensibilizar o Poder Judiciário para minimizar distorções que levam a violações de direitos humanos no sistema prisional. Segundo o ministro, os secretários voltam aos seus estados com a disposição de visitar os tribunais de Justiça e propor a ampliação do debate.
Para Socorro Gomes, secretária de Justiça e Direitos Humanos do Pará, é preciso encarar o problema – no estado, 80% dos detentos são provisórios e, segundo ele, estão carceragens inadequadas para a ressocialização. “Pessoas que roubaram uma TV ficam dois anos num presídio sem ser ouvidas”, disse, ao lembrar que o Poder Judiciário é peça fundamental para os direitos humanos e que a aplicação de penas alternativas poderia ser mais intensamente utilizada pelos juízes.
Ela também destacou como desafios no estado o trabalho escravo e a dificuldade de acesso da população, especialmente nos municípios do interior, ao registro de nascimento. Hoje, cerca de 30% dos paraenses não têm o documento.
Já a secretária baiana Marília Muricy disse que a agenda de diretos humanos no seu estado inclui a homofobia, a tortura e a exploração sexual de crianças e adolescentes, além do sistema carcerário. “A linha de frente da agenda é o combate à superpopulação carcerária e a humanização dos presídios”, afirmou. Ela também destacou a atuação dos juízes: "Eles são os aplicadores da lei e justiça sem consciência de direitos humanos é injustiça”.
Ela defendeu as penas alternativas como meio mais econômico e eficiente de devolver indivíduos produtivos à sociedade. E citou que um preso custa mais de R$ 1 mil por mês – em um centro de penas alternativas, o custo não chega a R$ 50.
Durante o encontro, também foi discutida a agenda de comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos a ser desenvolvida ao longo de 2008. Uma campanha nacional com ações para popularizar o tema e tornar acessível cada um dos 30 artigos da Declaração será lançada pela SEDH no dia 25 de março.
As peças publicitárias serão dirigidas principalmente à população de baixa renda, que será motivada a buscar informações sobre seus direitos e a exigi-los.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

SOBRE OS DIREITOS HUMANOS

Foi publicado hoje, n'O GLOBO de 24/02/2008 com o título de "Onde termina o político e começa o criminoso"

Gláucio Ary Dillon Soares
A polêmica sobre os direitos humanos passa por problemas de definição. Os"direitos humanos" adquiriram um significado muito restrito adotado por algumas organizações internacionais preocupadas com a violência e a violação dos direitos de qualquer pessoa somente pelo estado e seus agentes, em resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial que, nas décadas seguintes, foi reforçada pela violência de alguns estados contra seus inimigos políticos internos. Organizações e programas foram criados e essas definições aprofundaram suas raízes. Essas definições limitam o significado original da Declaração Universaldos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948. Se concentram no agente da violação, e não na violação, nem na vítima.

A inadequação cresceu e gerou conflitos porque deixa de fora a violência contra o estado e seus agentes, assim como a maior parte do crime e da violência que acontece no Brasil e no mundo, que é feita por indivíduos e por organizações fora do estado. Deriva de um conceito arcaico e eurocêntrico de estado. Nela, que deu origem ao conhecido binômio "estado e indivíduo", cada um no seu lugar e nada no meio, não há espaço para organizações não públicas, independentemente de tamanho e importância, e crimes cometidos, violentos ou não. É uma visão que começou limitada no espaço que parou no tempo.

No último século cresceram muito organizações intermediárias que superam, em tamanho, muitos estados e que também violam direitos humanos. Empresas como a Microsoft, com ativos superiores à soma dos PIBs de vários países latino-americanos, não encontram lugar nas teorias arcaicas da política, que dizer do estado. Elas produzem bens e serviços, contribuem para o desenvolvimento e, às vezes, violam direitos humanos e matam. A Union Carbide, uma grande multinacional, causou um desastre em Bophal, na Índia, em dezembro de 1984, quando uma fábrica subsidiária de pesticidas liberou 40 toneladas de gás tóxico que mataram entre três mil (dados confirmados, apenas) e mais de 15 mil (outra estimativa). Houve irresponsabilidade culposa: meses antes, cientistas da própria empresa alertaram para o risco de uma tragédia quase idêntica à que ocorreu; três anos antes, uma equipe de cientistas americanos também alertara sobre a ameaça deuma reação fora de controle na área de armazenagem. As mortes foram da ordem degrandeza da causada pelos ataques às Torres Gêmeas. Na definição arcaica, não é uma questão de direitos humanos. Então, o que é?

Empresas e sindicatos não são politicamente neutras e tanto as nacionais quanto as multinacionais participam da política de qualquer país, às vezes ilegalmente. Há, hoje, evidência sobre a participação da ITT no complot para desestabilizar e derrubar Allende. Sua contribuição manteve caminhoneiros e ferroviários em casa, sem trabalhar, contribuindo para a "crise do desabastecimento". A junção entre o público e o privado, às vezes, passa por pessoas. Há, também, um problema de limites nada claros entre o público e o privado: John McCone, membro da diretoria da ITT tinha comandado a CIA e serviu como ponte entre a empresa e a agência, coordenando os esforços para impedir a eleição de Allende e, depois, para derrubá-lo.

Há empresas cujos lucros superam o PIB de vários estados. Em 2006, os da Exxon Mobil, de 36 bilhões de dólares, foram maiores do que o PIB do Paraguai e os da Royal DutchShell, de 25 bilhões, superaram o do Uruguai. Algumas empresas empregam muito mais do que alguns estados. A Wal-Mart, em 2005, empregava um milhão e oitocentas mil pessoas, mais do que toda a população economicamente ativa adulta do Paraguai. Uma só empresa emprega mais do que um país. Todas tem segurança, própria e/ou terceirizada, seus espiões etc. Só não tem, formalmente, território. Tecnicamente, não podem violar direitos humanos.

A visão simplista "estado e indivíduo" exclui organizações poderosas entre os dois. É irreal e errada. A ênfase deriva de supostos arcaicos que forçam uma coincidência artificial entre os limites formais da geografia política e os do exercício efetivo do poder. Em todas as regiões, particularmente no Terceiro Mundo, há territórios que estão fora do controle do estado. Em alguns países com fortes antagonismos tribais, há áreas sob o controle de forças dissidentes - em alguns casos, por décadas. Há formas de organização política que controlam espaços formalmente sob a jurisdição do "estado nacional". As FARC são um exemplo. Manter a ficção da geografia política formal impede considerar os crimes e as violências cometidos por essas organizações como violações dosdireitos humanos.

Não são apenas organizações políticas que podem ocupar espaços dentro da geografia de um estado. As próprias FARC são, cada vez menos, uma organização político-revolucionária e, cada vez mais, uma organização de traficantes, o mesmo se aplicando às organizações de para-militares, opostas às FARC. O mundo se confronta com ações muito violentas de organizações terroristas,como a Al Qaeda. Embora sejam organizações hierárquicas com ambições político-religiosas, algumas das quais atuam em vários países, tão pouco podem violar direitos humanos. Por definição. Nações deixadas sem estado, graças a decisões do imperialismo europeu, como os curdos, e outras, graças à opressão de um estado, como os chechenos, praticam atos de terrorismo. São nações, com uma organização, que lutam por um estado que não existe, cometem e sofrem crimes e violências, que, não obstante, só são violações de direitos humanos quando elas as sofrem e não quando elas as executam. Por essa definição arcaica.

Não são, apenas, organizações políticas que controlam áreas formalmente dentro dos limites de um estado. Organizações criminais também o fazem e, da Colômbia ao Afeganistão é difícil dizer onde termina o político e começa o criminal. Em menor escala, o mesmo se observa dentro de áreas urbanas, quando organizações criminosas, sejam traficantes ou milícias, exercem certo controle e violam direitos da população residente.Os defensores dos direitos humanos são freqüentemente acusados de simpatizar com a bandidagem, hostilizando a polícia. Não é verdade. Trabalham coerentemente dentro de uma definição de direitos humanos, essa, sim, atrelada à condição de que o único agente capaz de violá-los é público. Está na hora de ampliá-la, analisando os direitos humanos como um direito de todos,que podem ser violados por qualquer indivíduo ou organização.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pará prepara operação para retirada de madeira ilegal em Tailândia

FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Tailândia
MATHEUS PICHONELLIda Agência Folha
O governo do Pará prepara uma megaoperação para retirada da madeira extraída ilegalmente e apreendida, no início da semana, em Tailândia (218 km ao sul de Belém).
O trabalho foi suspenso na terça-feira, devido a um confronto entre policiais e 1.000 pessoas contrárias à fiscalização.
O comando da tropa de intervenção da Polícia Militar na cidade informou que, desta vez, está preparado para conter manifestações envolvendo até 20 mil pessoas, número equivalente a quase um terço dos 67 mil habitantes do município.
No conflito do início da semana, uma ponte na entrada da cidade foi interditada por toras incendiadas jogadas na pista.
Manifestantes ainda depredaram o fórum da cidade e retiveram em uma serraria um grupo de fiscais estaduais e federais.
Hoje, os 200 policiais da elite da PM, deslocados de Belém para Tailândia, deram uma demonstração pública de força, na tentativa de desestimular eventual tentativa de organização de um novo protesto.
Portando coletes à prova de balas, escudos, armas pesadas --como metralhadoras-- e de efeito moral, PMs passaram o dia enfileirados em locais de grande movimentação. As passarelas de pedestres que cruzam a PA-150 foram ocupadas pelos policiais. Agentes da Polícia Civil circularam durante todo o dia em carros pretos.
Homens do serviço de inteligência da PM se infiltraram entre moradores, para detectar eventuais mobilizações. Até o início da noite, nenhum confronto havia sido registrado.
Segundo a Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), a retirada dos 13 mil metros cúbicos de madeira apreendidos --suficiente para lotar mais de 700 caminhões-- só será iniciada após trabalho de pacificação. Para isso, o governo pode adotar ações emergenciais.
De acordo com o secretário de Governo do Pará, Cláudio Castelo Branco Puty, a apreensão de madeira não necessariamente vai causar desemprego em massa na região, conforme argumentam os madeireiros. O governo do Estado quer cadastrar trabalhadores das madeireiras e distribuir 5.000 cestas básicas para ajudar quem eventualmente perder seus empregos, segundo a Sema.
Um leilão com a madeira apreendida será promovido pelo governo, o que deve render aos cofres públicos pelo menos R$ 4 milhões, segundo estimativa do governo. Metade do valor deve ser revertida em ações de requalificação profissional, e outra parte, para custear as operações e equipar agentes fiscalizadores.
Segundo o secretário, o objetivo é que a cada R$ 1 arrecado com o leilão, o governo invista R$ 0,50 em ações sociais.
Para as madeireiras e carvoarias, a Sema anuncia que agilizará os processos de licenciamento ambiental.
Os empresários alegam que a demora na concessão do documento os empurra para a ilegalidade. Segundo a secretaria, em Tailândia só há 22 madeireiras e seis carvoarias licenciadas. Outras 57 madeireiras e 40 carvoarias aguardam autorização.
Hoje, fiscais do Ibama transferiram para o Estado a responsabilidade pela guarda e movimentação do produto

domingo, 17 de fevereiro de 2008

AM: após desmatamentos, locais serão recadastrados

As 36 localidades da Amazônia Legal que sofreram mais desmatamento de agosto a dezembro devem ser recadastradas e regularizadas a partir de terça-feira, quando está prevista a publicação de instrução normativa pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
"Estamos abrindo um período para que todos os proprietários de grandes áreas tenham que ir ao Incra e ser recadastrados para poder continuar produzindo", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, na sexta-feira.
As regras de recadastramento valem para imóveis rurais com mais de quatro módulos fiscais - acima de 400 hectares.
O objetivo é intensificar a fiscalização na área, inibindo situações irregulares que possam contribuir para o desmatamento.
"Queremos evitar que grileiros ou pessoas que estão ocupando áreas de forma ilegal possam obter crédito, por exemplo, a partir de documentação antiga e irregular, e continuar desmatando", disse o ministro.
Para recadastrar-se no Incra, o proprietário de imóvel rural de grande porte deverá apresentar a documentação da propriedade, os títulos e um mapa de geo-referenciamento que fornece os limites da terra.
Para Cassel, a regularização dos imóveis rurais acima de quatro módulos fiscais não deve causar impactos na concessão do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), já que a medida visa apenas os grandes proprietários, que não têm acesso ao programa mas ao crédito rural do Ministério da Agricultura.
Para os pequenos proprietários - com imóveis de até quatro módulos rurais - o ministro destaca que o Incra, há mais de dois anos, trabalha com a regularização cadastral das terras e com a legalidade da documentação.
A região da Amazônia Legal engloba oito estados - Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantis - além de parte do estado do Maranhão, e totaliza uma superfície de, aproximadamente 5.217.423 km², o que correspondente a cerca de 61% do território brasileiro.